
Pode até parecer uma notícia antiga, mas não é. Taubaté está infestada pelo mosquito transmissor da dengue. E agora em 2012, a cidade corre sério risco de uma nova epidemia da doença. Em algumas regiões do município, a cada 100 casas visitadas pelos agentes, em 12 foram encontrados focos do mosquito Aedes Aegypti.
Uma situação que só existe, porque muita gente ainda não se conscientizou sobre os perigos da dengue. A caminhada é longa. E às vezes, não leva a nada. Acredite: a equipe de combate a dengue não consegue entrar em 75% dos imóveis.
Às vezes, porque eles estão fechados. Em outras, porque os moradores não abrem as portas. “Só existe dengue se existir o mosquito. Se não existir mosquito, não tem mais dengue. Precisa cair a ficha das pessoas. Não adianta bater a porta na cara do agente que foi treinado para te ajudar, que foi lá para fazer um serviço pago pelo seu imposto”, disse a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Stella Zöllner.
Quando é possível entrar, o cenário assusta. “Nesse bairro que a gente está trabalhando desde ontem, nós estamos encontrando muitas larvas, demais da conta, está um absurdo”, disse a supervisora dos agentes, Mônica Bispo.
Na casa da dona de casa Alice Santos, no bairro Independência, centenas de larvas. Elas estavam nos pratinhos dos vasos, nos ralos, na piscina. “Deus me livre e guarde, eu tenho medo. Não quero nem pratinho mais, arranco tudo”, garantiu a dona de casa.
Na casa ao lado, exemplo de cuidado. No local, nada de larvas. “É preciso ter consciência, porque um mal feito da gente pode refletir em outros, né?”, disse o aposentado Devair Barros.
Mas, na média, a situação preocupa. Nas duas últimas semanas, os agentes visitaram 3.600 casas. No levantamento, a cidade foi dividida em seis áreas. E foi constatado: apenas uma região, a do bairro Marlene Miranda tem nível de infestação aceitável.
No Marlene Miranda, a média é de 1,5, o que significa que focos foram encontrados em menos de duas casas, a cada 100 visitadas. Média dentro da chamada zona de conforto, que vai até 1,7. Mas, no restante da cidade, a situação piorou muito desde o último levantamento.
Em Quiririm, o índice passou de 0,1 em outubro do ano passado para 3,9 agora. No centro, de 0,8 para 4,6. Na região da Vila São Geraldo, o maior registro: de 1,2 para 12,5. Na Gurilândia, de 1,3 para 2,2. E na região do Três Marias, de 0,2 para 7,7.
A cidade que viveu uma epidemia no ano passado, com mais de 4.300 casos, está em alerta. Para tentar resolver parte do problema das casas fechadas, a partir desta quarta-feira (1/2) equipes de agentes vão fazer as visitas também no período da noite.
Fonte: http://www.vnews.com.br/